Radiação traz Perigo ao Mundo :

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Japão tem novos acidentes no complexo nuclear de Fukushima

Com problemas de resfriamento, reator 2 teve explosão no reservatório, enquanto reator 4 pegou fogo

Autoridades da agência nuclear japonesa anunciaram na terça-feira (horário local) novos acidentes no complexo nuclear de Fukushima Daiichi. Uma terceira explosão ocorreu em parte do reator 2 por volta das 6h10 de terça-feira (por volta das 18h10 em Brasília). Poucas horas depois, por volta das 11h28, o reator 4 da planta pegou fogo.
Os acidentes na manhã de terça-feira levaram o premiê japonês, Naoto Kan, a alertar que parte da radiação escapou dos reatores danificados, aumentando os riscos de vazamentos. Além disso, Kan pediu para moradores de até 30 km de distância do complexo nuclear permaneçam dentro de casa e evitem exposição.
Na segunda-feira, os reatores 1 e 3 já haviam sofrido explosões decorrentes dos problemas ocasionados pelo terremoto de sexta-feira. A explosão que destruiu parcialmente o retor 2 seguiu as duas explosões anteriores, enquanto autoridades se esforçam para prevenir o Japão de um vazamento nuclear ainda maior na área devastada. O incêndio no reator 4 ocorreu quase seis horas depois da explosão no reator 2.
O governo precisou que a explosão no reator 2 destruiu o reservatório do condensador do cilindro de confinamento concebido para impedir vazamentos radioativos em caso de acidente. É a primeira vez que é citado um dano no cilindro do reator da central de Fukushima 1, atingida por uma série de problemas causados pelo terremoto seguido de tsunami no nordeste do Japão.
Houve explosões em dois outros reatores desta usina, sábado e segunda-feira. Nos dois casos, a deflagração, devido ao escapamento de hidrogênio, danificou ou destruiu o prédio externo do reator, mas sem atingir o núcleo da instalação, segundo o governo. 
Na segunda-feira, barras de combustível no reator 2 ficaram expostas, informou a operadora da usina no nordeste do Japão, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco). Os índices de água para resfriamento em volta do núcleo do reator baixaram após a explosão do reator 3 da usina, que destruiu o teto e as paredes da instalação. Segundo a agência Jiji, a possibilidade do derretimento das barras de combustível não poderia ser descartada, com a fusão parcial do núcleo de um dos reatores.
A estação de bombeamento que permite manter submersas as barras de combustível parou de funcionar, o que reduziu o nível de água no reator e manteve 3,7 metros das barras de combustível (que têm 4 metros) expostas até a noite de segunda-feira (horário local). As barras voltaram a ficar expostas posteriormente.

Foto: Reuters
Oficiais com equipamento de proteção checam sinais da radiação em crianças, em Koriyama, Japão (13/3/2011)
Diante dessa situação, a empresa tentou usar água do mar diretamente no reator para afundar as barras de combustível nuclear e conter o eventual processo de fusão. O reator 2 foi o terceiro da usina nuclear de Fukushima a sofrer uma pane no seu sistema de resfriamento. A segunda explosão atingiu o reator número 3 de Fukushima, dois dias depois de um incidente semelhante envolvendo o reator número 1. O incidente deixou 11 feridos, um deles em estado grave. Mas as autoridades afirmaram que o reator número 3 resistiu ao impacto. O núcleo da estrutura teria permanecido intacto e os níveis de radiação, abaixo dos limites considerados legalmente perigosos.
Ainda assim, dezenas de milhares de pessoas foram retiradas das proximidades da instalação e 22 estão sob tratamento por exposição à radiação. O governo informou que o sistema de bombeamento de água do mar para os reatores permanece em operação apesar da última explosão. No fim de semana, técnicos trabalharam para resfriar os três reatores da usina Fukushima 1, que tiveram problemas em seu sistema de resfriamento após o terremoto e o tsunami na sexta-feira.
Mais cedo, autoridades ressaltaram que a radioatividade está acima do normal em Ibaraki, entre Fukushima e Tóquio. Especialistas, no entanto, creem que é improvável uma repetição do desastre nuclear das proporções de Chernobyl, em 1986, porque os reatores atuais são construídos com padrões mais elevados e sob medidas de segurança mais rigorosas.
Ajuda
Também na segunda-feira, o governo japonês solicitou formalmente aos Estados Unidos ajuda para resfriar os reatores nucleares danificados pelo terremoto no Japão na semana passada, informou a Comissão Reguladora da Energia Nuclear (NRC) americana.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente da comissão, Gregory Jaczko, indicou que a NRC respondeu ao pedido e pode fornecer assistência técnica. A NRC já conta com dois técnicos presentes no Japão, que têm como missão informar à embaixada americana sobre o desenvolvimento dos eventos dentro de uma equipe da Agência Internacional americana para o Desenvolvimento (USAID). "É uma situação séria e seguiremos fornecendo toda a assistência que for solicitada", declarou Jaczko.
Tanto Jackzo como o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, asseguraram que apesar do ocorrido no Japão, o governo não mudará sua política de apoio à energia nuclear, um dos pilares da estratégia energética do presidente Barack Obama para reduzir a dependência do petróleo estrangeiro.

Explosão não danificou reator nuclear (14/03)
Foto: Reutes
Explosão não danificou reator nuclear (14/03)

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